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Data: 01/03/2019
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Federação Maranhense de Futebol 7 filia-se à CF7 Brasil e presidente Waldemir Rosa garante: "A Maria Clara vai jogar"

Por: Edgar Caetano


No último fim de semana, um caso delicado movimentou as redes sociais em todo Brasil. Às vésperas do Campeonato Maranhense de Futebol 7, a atleta da Escolinha Meninos da Vila SLZ (filial do Santos em São Luiz, no Maranhão), Maria Clara, 10 anos, foi comunicada pelo professor que não poderia disputar a competição (fato que já havia acontecido no ano passado, com o Flamengo de SLZ), visto que no Livro de Regras da Federação Maranhense de Futebol 7 - destacado no item 01, Regra 5 -, não poderia haver interatividade (não sendo legal equipes mistas entre gêneros masculinos e femininos). Foi ai que nasceu a hastag #DeixaaMariaJogar, criada pelo diretor da escolinha, Alexsandro Campos Rodrigues, chamando a atenção e contando com o apoio da Lettícia Munniz, humorista que produz conteúdos na internet com o intuito de empoderar e unir mulheres.


 


Maria Clara Reprodução / Instagram 

Zagueira e titular absoluta da equipe Sub-11 da Escolinha Meninos da Vila SLZ (filial do Santos em São Luiz, no Maranhão), Maria Clara é uma das principais destaques do time. Com tamanha importância na equipe, o diretor da escolinha não abriu não de tê-la na disputa do Campeonato Maranhense de Futebol 7, que inicia no próximo dia 8 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher. "Maria Clara é nossa zagueira, titular absoluta no time Sub-11. Boa jogadora, tem tempo de bola, bom passe, não se desespera, tem visão de jogo e tem muita percepção, sabe jogar futebol de verdade. Ela é importantíssima para o nosso time", elogiou Alex.

 

Revoltado com a decisão da entidade, o empresário Alex Crente foi às redes sociais junto com a jovem e se manifestaram, mobilizando internautas de todo o país para que o veto fosse quebrado. "Eu falei para ele (Waldemir Rosa) que iríamos brigar do nosso jeito e que não ia ficar legal para ele, que ele teria que rever essa posição. Foi aí que a gente decidiu fazer o vídeo, que todo mundo já conhece, Maria Clara também fez um vídeo sozinha e aí a gente começou a viabilizar o vídeo através de grupos no whatsapp, amigos meus e depois a gente se comprometeu em colocar na internet", disse o Diretor da Escolinha.

 

Incomodado com a situação da Maria Clara, coube ao Presidente da Federação Maranhense de Futebol 7, Waldemir Rosa, tomar uma providência em prol da jovem atleta. A favor da inscrição da santista, Waldemir não pensou duas vezes e transferiu a Federação Maranhense à CF7 Brasil, que permite que atletas de gêneros opostos atuem na mesma equipe e disputem as competições das suas federações estaduais. "Estava seguindo o que estava escrito no livro de regras e orientações de diretores de arbitragem da modalidade. Como estou me filiado em outra confederação, que o livro de regras permite, a Maria Clara vai jogar", afirmou o Presidente Waldemir Rosa.

 

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Para que Maria Clara pudesse jogar o Campeonato Maranhense de Futebol 7, Waldemir Rosa filiou a Federação Maranhense de Fut7 à Confederação de Futebol 7 do Brasil (CF7 Brasil). (FOTO: Arquivo Pessoal / Waldemir Rosa)

 

O presidente da entidade nacional confirmou a procura da Federação Maranhense e revelou que ambas as partes já conversavam sobre a filiação, concretizando enfim, aquilo que já era um 'antigo namoro'. "Acompanhamos de perto o Caso da Maria Clara e fomos procurados pelo Presidente da Federação Maranhense de Futebol 7. Vimos a preocupação dele em ajudar a Maria Clara e me coloquei à disposição para filiá-los à Confederação de Futebol 7 do Brasil, que não tem nenhuma restrição quanto a esse tipo de situação. Em dezembro do ano passado, em Pernambuco, a Federação Pernambucana de Futebol 7 promoveu a PE CUP, um torneio grandiosíssimo dentro da Arena de Pernambuco e duas atletas (Flamengo de Arapiraca e Recife Soccer) disputaram a competição entre os meninos sem problema algum. Então, será um prazer tê-los conosco reforçando ainda mais a Confederação e garantimos que a Maria Clara vai jogar sim", contou Omar Brito, Presidente da Confederação de Futebol 7 do Brasil.

 

Assim como em Pernambuco, Minas Gerais, entre outros estados, as federações de futebol 7 filiadas à CF7 Brasil não possuem restrições quanto à mistura de gêneros dentro de uma mesma equipe de base. Conforme citado acima por Omar Brito, a Federação Pernambucana de Futebol, 7 promoveu em dezembro do ano passado a PE CUP, maior competição de futebol 7 de base do país. Quatro campos com medidas de 45 x 25 foram montados dentro do gramado da Arena de Pernambuco, estádio que recebeu jogos da Copa do Mundo de 2014. Atleta a Escolinha oficial do Flamengo em arapiraca/AL, Helô Macedo, de 12 anos atuou pela equipe Sub-12 da urubu é pioneira na sua cidade. Com o apoio de toda a família, tem o livre arbítrio de seguir carreira naquilo que desejar, seja no futebol ou e outra área que escolher trilhar no futuro. "Nós, eu, o Jailton (Pai de Helô) e o Gustavo (irmão mais velho de Helô), a gente se sente muito feliz vendo a Helô jogando futebol mesmo entre os meninos. Admiramos ainda mais a Helô pela personalidade dela. Não interessa para ela se tem outras meninas para jogar. Seria interessante? Sim, mas se não tem, ela joga com os meninos e é muito bem resolvida com essa questão. Ela é muito bem aceita por todos os meninos e por toda a escola FLA. Já passamos também pela frustração que a Maria Clara passou agora pouco, em Maceió/AL, onde havia um campeonato e Helô foi impedida de jogar por ser menina, a federação não permitia time misto. A gente fica triste, mas a gente não desiste. Nosso maior incentivo é dizer para ela que ela vai jogar até quando ela quiser, até quando ela se sentir realizada, mas se um dia ela disser que não é mais isso (jogar futebol), a gente vai apoiar com a mesma intensidade", disse Hebe Macedo, mãe de Helô.

 

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Helô, da Escolinha oficial do Flamengo em Arapiraca/AL, foi uma das duas meninas a disputar a PE CUP em times masculinos. (FOTO: Luciano Fotoguia / Federação Pernambucana de Futebol 7)

 

Feliz por ser pioneira em sua cidade, Helô destacou que gostaria que houvesse times e competições femininas. Além disso, aproveitou para mandar uma mensagem de apoio à Maria Clara. "Me sinto feliz por ser pioneira em minha cidade e por ter a oportunidade em jogar em outras cidades como também em outros estados. Mesmo fazendo parte de uma equipe de meninos. Gostaria que tivesse um time feminino, mas, como não tem, continuo jogando com os meninos, onde sou bem aceita por eles. A mensagem que deixo a Maria Clara é que se é isso que ela gosta de fazer, que continue. Não desista. Que somos guerreiras em jogar entre meninos, pois, são poucas as oportunidades em nosso país oferecidas a categorias femininas no esporte, principalmente no futebol. Minha sorte como menina é que os meninos, nem da equipe, nem os adversários, me descriminam. Isso me deixa mais confortável em jogar com eles. Força Maria Clara", disse Helô.

Tentamos entrar contato com a Maria Clara e seus responsáveis, mas não obtivemos sucesso.




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